Digital Analogue
Digital Analogue from ftjelly on Vimeo.
Não deixe de assistir este vídeo! Com som é muito melhor.
Stop motion de primeira com mais de 6 mil imagens. Dica do Photo Induced.
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Stop motion de primeira com mais de 6 mil imagens. Dica do Photo Induced.
Por Miguel Chikaoka.
Oi Alexandre,
Juro que, durante esse tempo que passou, lembrei-me de muitas fotos que aprecio, mas curiosamente não se deu o “insight”…
De repente, O Vento!
Portanto, se possível enquadrá-lo na seção,
O Vento, do Manoel de Barros, é uma foto que eu queria ter feito.
O VENTO
Queria transformar o vento.
Dar ao vento uma forma concreta e apta a foto.
Eu precisava pelo menos de enxergar uma parte física
do vento: uma costela, o olho…
Mas a forma do vento me fugia que nem as formas
de uma voz.
Quando se disse que o vento empurrava a canoa do
índio para o barranco
Imaginei um vento pintado de urucum a empurrar a
canoa do índio para o barranco.
Mas essa imagem me pareceu imprecisa ainda.
Estava quase a desistir quando me lembrei do menino
montado no cavalo do vento – que lera em
Shakespeare.
Imaginei as crinas soltas do vento a disparar pelos
prados com o menino.
Fotografei aquele vento de crinas soltas.
Por Manoel de Barros, in Ensaios Fotográficos, Editora Record (2000)

Agora em março, a artista plástica Claudia Jaguaribe estará ministrando alguns cursos na Escola São Paulo.
Destaque para Fotógrafos contemporâneos e suas relações com as artes visuais e 1 Semestre de Fotografia, que conta com um timaço de profissionais.
Esta entrevista foi feita há alguns meses e por uma falta de combinação de como poderíamos ilustrá-la… Ficou guardada, maturando. Saiu agora com uma atualização e as fotos. Ainda tentei publicar algumas fotos feitas pela entrevistada, que relutou. No final das contas, ficou bem ilustrada… Simonetta Persichetti tem uma longa estrada pela fotografia brasileira e tem gabarito para falar o que bem entende. É jornalista e crítica… Bem crítica. As respostas mostram bem isso. Ela fala um pouco sobre o panorama geral da fotografia e explica sobre a sua relação com a fotografia pernambucana. Sim… As fotos escolhidas por Simonetta não podiam ser melhores.
Foto: Paulo Villar
OLHAVÊ Como começou a sua relação com a fotografia?
SIMONETTA PERSICHETTI De forma absolutamente casual. Me formei em jornalismo em 1979. Sempre quis ser jornalista, desde meus 13 anos. Durante a faculdade cursei fotografia na Escola Imagem Ação do Claudio Feijó. Queria completar meus estudos de jornalismo, pois sempre acreditei que o fotojornalista é, antes de tudo, um jornalista. Mas nunca pensei em fotografar, sempre preferi a escrita. Durante meus cursos na Imagem e Ação conheci o Sérgio Sade, na época, editor de fotografia da revista Veja. Foi ele que me aconselhou a escrever sobre fotografia, fazer crítica, devido a uma carência no Brasil de um profissional que se dedicasse a isso. Confesso que na hora não dei muita bola, meus sonhos eram outros, mas coincidência ou não, meu primeiro emprego como jornalista foi na revista Iris Foto, em 1980. Sabia que não queria escrever sobre técnicas ou câmaras fotográficas. Meu interesse era trabalhar com a linguagem fotográfica, entrevistar os fotógrafos. Procurei então o Sérgio Sade que me falou para desenvolver perfis de fotógrafos. E foi assim que eu comecei. Mas embora tenha escrito para a Irisfoto durante 15 anos (com alguns intervalos), trabalhei em outras redações e editoras e até na televisão. Foi só em 1991, quando voltei para Editora Abril para trabalhar no Dedoc (arquivo fotográfico da Abril) que assumi inteiramente a fotografia. Em 1992 comecei o meu mestrado em Comunicação e Artes. Apresentei minha dissertação em 1995. No ano seguinte ingressei como colaboradora do jornal Estado de S. Paulo onde estou até hoje. Em 1997 comecei meu doutorado em Psicologia Social, para discutir a estética da fotografia latino-americana, e em 1998 comecei na área acadêmica no Senac. E aí… bom todo mundo já sabe!
OLHAVÊ O que lhe chama atenção na fotografia atualmente?
SIMONETTA PERSICHETTI O que me chama a atenção hoje é o que sempre me chamou a atenção. De que forma as pessoas se comunicam com a fotografia. Como é recebida a fotografia pelas pessoas, o fenômeno fotográfico em si. Como jornalista, confesso que o que mais me atrai ainda hoje é o fotojornalismo. Mas como hoje todas as imagens se parecem com um tratamento igual no Photoshop, acho que temos uma “ditadura” visual. Ou como diz a professora de filosofia e estética Magnólia Costa, vivemos a época da estética da tosquice.
OLHAVÊ Você acredita numa chamada “descentralização” ou a fotografia brasileira só “brilha” em São Paulo? Ou, o mais correto seria dizer que em São Paulo estão os “legitimadores” da fotografia?
SIMONETTA PERSICHETTI Infelizmente, os que estão fora de São Paulo têm esta visão, que para mim é completamente equivocada. Durante os bons anos da Funarte, sempre tivemos um panorama mais amplo do que acontecia com a produção brasileira. Os encontros de fotografia faziam este papel. Mas nos últimos 20 anos, creio eu, perdemos este olhar. Não acho de maneira nenhuma que em São Paulo estão os legitimadores da fotografia. Acho que todos os olhos se voltam para São Paulo e muitos fotógrafos de outros estados anseiam por trabalhar em São Paulo. Mas bons fotógrafos estão em todas as partes do Brasil. Desde 2003 com o Thales Trigo coordeno a coleção SENAC de fotografia. Sempre tivemos a certeza de que seria difícil dar conta do recado, de mostrar o Brasil todo, mas de certa forma tentamos abrir, sempre dentro do possível para outros estados. Sempre acreditei que se cada estado fizesse sua própria coleção, em breve teríamos este mapeamento da produção. Agora [2009] que em três meses entrevistei 40 fotógrafos que expuseram nestes primeiros dez anos da Fnac no Brasil, também tive a oportunidade de reconfirmar que existem pólos muito fortes de fotografia no Brasil todo. Infelizmente estes pólos conversam pouco e as imagens não circulam, ou então, pior, circulam sempre as mesmas por todos os festivais de fotografia o que, no meu entender, cria uma linha única de visualidade.
OLHAVÊ Nos conte um pouco sobre a sua participação no projeto Encontros com a Fotografia Fnac, um projeto gigantesco e pioneiro aqui no Brasil. Para você, qual foi o resultado e experiência em ter tido contato tão próximo com uma diversidade tão grande de fotógrafos?
SIMONETTA PERSICHETTI Como digo no DVD, para mim foi muito importante no prazo de três meses ter conversas com visões tão diferentes e ao mesmo tempo tão semelhantes em relação à fotografia brasileira. A novidade não foi o contato próximo, visto que já conhecia quase todos eles pessoalmente, pois já os havia entrevistado, mas a diferença foi estar no lugar no qual eles costumam trabalhar. Um discurso, por parte dos fotógrafos, não tão intelectualizado ou pensado, como acontece nas entrevistas normalmente, mas um vivenciar experiências. Não posso falar pelos fotógrafos – é claro – mas posso falar por mim. O que ficou, foi algo que eu já sentia, mas que se confirmou: falem o que quiserem, mas a fotografia brasileira existe sim, e tem uma forte tendência ao documental.
OLHAVÊ Como você avalia o fotojornalismo que é produzido nos jornais atualmente?
SIMONETTA PERSICHETTI Ruim, muito ruim. Claro que o jornalismo está mudando e, portanto também a fotografia, mas na ânsia de mudar alguma coisa, esquece-se o principal do jornalismo que é informação. O que vemos atualmente é o que o Hélio Campos Mello tão bem definiu como o “óbvio eficiente” ou então imagens “criativas” de mais que nada significam e acabam funcionando mais como ilustração do que como informação. Neste momento estamos voltando aos primórdios do fotojornalismo: imagens posadas, muito retrato, poucos acontecimentos e imagens que não conversam com os textos e não acrescentam nada. Vemos também muitas brincadeiras tecnológicas, mas que na verdade não trazem nada de novo em termos de linguagem, de transformação ou questionamento à mesmice. Ou seja, se descobre uma brincadeira tecnológica e se repete o tempo todo, não incorporando a linguagem, mas como uma estética vazia. Hoje só vejo manchas.
OLHAVÊ Qual a importância de uma publicação como a revista Irisfoto e como anda as publicações do segmento hoje em dia nesse mundo de internet e blog?
SIMONETTA PERSICHETTI A Irisfoto marcou época por dois motivos: o primeiro que ela foi uma das revistas de vida mais longa e ininterrupta no Brasil: 50 anos. Depois por muito tempo foi a única até termos a genial revista da Fotoptica. As duas revistas foram fundamentais na época (em especial anos 70/80) para divulgar quem estava começando. Basta pegar as edições desta época e você poderá ver que grande parte dos fotógrafos que estão hoje em evidência foram de alguma forma “apresentados” por estas duas revistas. Em relação a Iris, a partir do começo dos anos 90 – por questões que nem vale a pena comentar – entrou em decadência. Foi uma pena. Tenho um enorme carinho por ela, pois afinal foi lá que comecei em 1980. Minha primeira matéria saiu em janeiro de 1980. Estou para completar 30 anos de pesquisa e estudo da fotografia. Em relação aos blogs, é muito diferente. A comunicação mudou a importância das coisas também se alterou. Acho os blogs uma forma boa e rápida de apresentar trabalhos e também discutir fotografia. Inclusive minha última ação no Senac, foi promover um debate sobre os blogs com as turmas de pós-graduação. A maioria dos coordenadores torceu o nariz (coisa de acadêmicos cheios de mofo, ainda bem que nem todos são assim). Mesmo assim o seminário aconteceu: “Blog linguagem”, em 2005. Há quase cinco anos, portanto, eu já chamava a atenção para a importância desta nova ferramenta como uma nova forma estética e de linguagem.
Mas acho que não podemos confundir blogs com sites: o blog, em minha opinião, nunca pode ser comercial para manter de forma integral sua independência. O blog não é um site de notícias e muito menos uma revista. É um lugar para pensatas, recados, coisas importantes e muitas sem importância, um bloco de anotações. Já um site deve ser muito bem pago.
Quanto às publicações confesso que não gosto de nenhuma. São todas muito fracas e com um visual muito aquém da produção fotográfica e mesmo do visual dos sites e blogs. São revistas que cometem sempre o mesmo equivoco: não sabem se são para amadores, profissionais ou comerciais. Falam um pouco de tudo e, portanto, não falam de nada. As entrevistas fracas e óbvias. Gostava mais da revista Paparazzi, do Carlo Cirenza. Quanto ao resto confesso que as que foram não deixaram saudades e as que existem não me dão muita vontade de ler.

Andrè Kertezs (1894-1985)

Eugene Atget (1856-1927)
OLHAVÊ Atualmente, o papel da crítica fotográfica faz parte de uma cadeia produtiva do mercado de arte ou você acha que também é possível trazer a reflexão para estes momentos de debate (seja no caso de textos críticos/analíticos sobre livros e exposições)?
SIMONETTA PERSICHETTI Não sei se entendi bem tua pergunta. Mas pelo que tenho visto muito mais que a crítica são os curadores que fazem parte de uma cadeia (in) produtiva do mercado de arte e divulgação da imagem. Existe sempre uma ação entre amigos. Sãos sempre os mesmos que aparecem e querem pontificar, soltando frases de efeito e sem muita, ou melhor, sem nenhuma substância ou referencial teórico. A impressão que eu tenho é que a maioria lê orelha de livro e sai falando como se conhecesse a obra toda. Acho isso muito ruim. Mas não é privilégio da fotografia. Afinal, vivemos na sociedade do espetáculo e criar fogos de artifícios faz parte, mas quando eles se apagam você vê que não sobra muita coisa. Tem muito curador (assim como muitos fotógrafos) que nunca leu história da fotografia, que quer falar de fotografia a partir de uma linha única que é história da arte. Não é bem assim, acho isso um equívoco. Acho que este é o momento certo para trazer reflexões sérias sobre o papel da imagem e não falar de coisas já superadas no século XIX. Como diz o Luiz Carlos Felizardo: fala-se muito sobre fotografia e muito mal. Concordo plenamente com ele.
OLHAVÊ Você tem um extenso e respeitável trabalho no âmbito da crítica fotográfica. Como você observa o momento atual da expressão crítica na Fotografia Brasileira?
SIMONETTA PERSICHETTI Acho que já respondi na questão acima. Repito, só vejo um passando a mão na cabeça do outro e aceitando o que o a mídia decide. Aplaudem e repetem máximas. Se alguém critica já é mal-visto. O que me desgasta é que pessoas vindas das artes plásticas falem sobre fotografia sem o menor conhecimento de sua história. Rosalind Krauss em seu livro “O Fotográfico”, explica isso muito bem.
OLHAVÊ Você sempre comenta sobre a estética publicitária na produção da fotografia contemporânea. Nos explique um pouco mais sobre esta sua percepção.
SIMONETTA PERSICHETTI Há anos venho falando da estética publicitária na produção contemporânea. E isso não é uma crítica à fotografia publicitária, mas sim uma definição de conceitos. A publicidade existe para aparecer, causar e sumir. O que vejo hoje na fotografia é o mesmo. Mas vejo isso mais no jornalismo. Que quero dizer. Para mim existe linguagem: você usa determinada câmara, lente, corte porque você quer dizer alguma coisa. Quando você faz toda e qualquer imagem usando a mesma lente, o mesmo ângulo, o mesmo tratamento de imagem, você está pensando na estética publicitária: aparece, emociona e desaparece para logo ser substituída. Os publicitários (no melhor dos mundos) fazer isso com grande sabedoria. O resto faz modismo. O excesso de photoshop e “efeitos especiais” nas fotografias de hoje não são linguagem, são meramente futilidades.
OLHAVÊ A fotografia digital impõe uma nova conduta e dedicação ao fazer fotográfico. Em tese, tudo é mais fácil, desde a aquisição do equipamento como ao clicar e ter o “produto” final. A consciência sobre a riqueza dos códigos que a linguagem fotográfica promove parece ser dominada pelo automatismo e pelo “olhar” simplista. Isso pode ser uma armadilha para os novos fotógrafos?
SIMONETTA PERSICHETTI Não concordo. A fotografia digital não impõe nada. São as pessoas que impõem alguma coisa. Não a tecnologia. Em tese, sempre tudo foi mais fácil desde a invenção da fotografia. Ela nasce para possibilitar a um maior número de pessoas de se expressar. Ela não nasce atrelada a arte, pelo contrário, a estética da fotografia só se define a partir das primeiras décadas do século XX. Desde sempre todos puderam fotografar. Se você pensar na Kodak de 1880 que lança uma câmara com o slogan: “você aperta o botão e nós fazemos o resto”, você já tem a resposta. Esta “primeira” câmara vinha com filmes com 100 chapas. Quase uma digital para a época. O olhar simplista nasce quando não se considera que existe um olhar pensante atrás de uma câmara. Fico muito irritada com estas colocações. Para mim isso soa da seguinte maneira: “hoje todos estão alfabetizados, podem ler e escrever, então não vou produzir mais”. Antes de qualquer coisa, a fotografia é da área da escrita, da comunicação (leiam Rosalind Krauss), então, que bom que todos estão alfabetizados imageticamente. Isso significa que quanto mais as pessoas fotografarem, mais se educa o olho e não o contrário.
OLHAVÊ Como você avalia a proliferação de cursos universitários de fotografia?
SIMONETTA PERSICHETTI Acho muito bom. Claro que ninguém sai fotógrafo porque fez uma escola, mas pelo menos se estuda história da fotografia, os pensadores da fotografia, estética fotográfica. A faculdade nos ajuda a entender, superar e nos dá a possibilidade de errar. Espero que cada vez mais se crie uma consciência crítica e não se falem tantas bobagens. Conheço inúmeros fotógrafos reconhecidos que desconhecem história da fotografia. É preciso entender e contextualizar textos. Se você fala de um critico que segue a semiótica, por exemplo, você tem que saber o que é isso. Assim se você cita a Susan Sontag tem que saber que ela fala e muitas vezes cita o Walter Benjamin. Mas isso é teórico. Então ao citar autores e teoria, não basta copiar, mas contextualizar. Isso só uma formação acadêmica pode te dar.
OLHAVÊ Inserir cada vez mais a fotografia no mercado de artes é uma saída financeira interessante? A dita fotografia artística contemporânea há muito circula nas galerias de arte. Esse espaço está crescendo e se consolidando para a fotografia “feita” por fotógrafos?
SIMONETTA PERSICHETTI A fotografia entra no mercado das artes no final do século XIX com o pictorialismo e só para citar um exemplo, a Julia Margaret Cameron que já vende suas imagens (e por preços elevados) nos salões de arte. Alfred Stieglitz ao abrir sua galeria 291 em Nova York em 1905 já coloca a fotografia no mercado. O que acontece é que se você pesquisar, infelizmente, o mercado da fotografia mundial ainda é muito incipiente. Se você falar de Nova York, ok, mas na Europa ele é ainda inexistente… Claro que a fotografia é feita por fotógrafos. Agora, existem alguns artistas plásticos que partem da fotografia para fazer ou criar sua obra. Tudo bem. Isso não invalida, mas param mim, eles não podem se autodenominar fotógrafos. Só isso. Saída financeira? Acho engraçado, pois os que mais criticam autoria falam de um mercado capitalista, mas são os primeiros a cair nas armadilhas deste mesmo mercado e se oferecerem de forma despudorada para o que o mercado requer. Ninguém cria, todos operam para o mercado! Só isso.
OLHAVÊ Como começou sua relação atual com a Fotografia Pernambucana?
SIMONETTA PERSICHETTI Já conhecia alguma coisa da fotografia pernambucana por fazer parte de júri dos concursos de fotografia, como o Ayrton Senna, por exemplo, e por passear nos blogs e por ter trabalhado dez anos no arquivo fotográfico da Editora Abril. Essa relação se intensificou após convite da Teresa Maia para ministrar dois cursos aí em Recife: “A importância da fotografia na mídia contemporânea” e em seguida, “Os pensadores da fotografia”. Os dois cursos, iniciativa da própria Teresa, foram dados no auditório do Diário [jornal Diário de Pernambuco] e muitos fotógrafos compareceram e pudemos então conversar e tive a oportunidade de ver os trabalhos. Foi nestes cursos que eu conheci o Fernando Neves da Arte Plural, com o qual iniciei uma colaboração em 2009.
OLHAVÊ Explique do que se trata o projeto “Pernambuco Convida” que a Arte Plural Galeria irá desenvolver este ano e quais são os seus planos para o ano de 2010.
SIMONETTA PERSICHETTI O projeto Pernambuco Convida nasceu de uma vontade do Fernando Neves da Arte Plural Galeria. Conversamos muito sobre este projeto que de alguma maneira procura retomar ou revisitar as extintas semanas de fotografia da Funarte. A idéia é convidar a cada ano um estado montando um diálogo imagético entre os fotógrafos. Queremos conversar, convergir para, de alguma forma tentar remontar um panorama da fotografia brasileira. O que estamos produzindo – cada um em seu estado – é muito diferente? É semelhante? Isso importa? Perguntas que surgem e que não necessariamente precisam de uma resposta. Mas a vontade é juntar as mais diferenciadas vozes da fotografia brasileira. Ser um pólo aglutinador de tendências, experiências e do pensar fotográfico. Esta é a nossa intenção.
Meus planos para 2010 são muitos. Não poderia ser diferente… Mas são planos… Se acontecerem, todos saberão! Não estou escondendo o jogo, mas talvez seja superstição… Não falar antes da confirmação.

Hugo Pellis (1882-1943)

Manoel Álvares Bravo (1902-2002)

A Arte Plural Galeria abre o mês de março com um novo projeto, o “Pernambuco Convida”. Na primeira exposição do projeto, os pernambucanos Teresa Maia, Cláudia Jacobovitz, Mariana Guerra, Matheus Sá e Alexandre Belém (este redator) interagem com os paulistas Fernanda Prado, Celisa Beraldo, Marcello Vitorino, Gabriel Boieras e Paula Cinquetti. A curadoria é de Simonetta Persichetti.
SERVIÇO:
Pernambuco Convida.
Abertura: 09 de março, às 19h para convidados; Visitação: de 10 de março a 25 de abril – de terça a sexta, das 13h às 19h, e sábados e domingos, das 16h às 20h.
Arte Plural Galeria – Rua da Moeda, 140 – Bairro do Recife – Recife – PE.
Informações: (81) 3424.4431
Foto: Eder Chiodetto
Palestra de João Castilho no deVERcidade
Por Georgia Quintas.
No deVERCidade, a palestra do fotógrafo João Castilho foi uma viagem a mundos transfigurados. A cada ensaio que Castilho apresentava, envolto em sua fala suave, adentrávamos na profundeza que uma linguagem fotográfica revela quando experimentada e pensada. O silêncio da sala escura nos remetia à dialética de imaginários, de espaços limítrofes entre o crível e o surreal. As paisagens, as pessoas e os objetos são tão improváveis que criam vertigens ao nosso olhar.
A produção de Castilho revela-se das mais instigantes no campo da fotografia experimental. De tão profusa e profícua, torna-se flácido conceituá-lo. Documental imaginário foi uma definição apropriada por ocasião do trabalho Paisagem Submersa (realizado com Pedro David e Pedro Motta). E, de fato, João Castilho insere-se cada vez mais na abstração, na subjetividade e na construção da imagem como narrativa esgarçada. A inquietação dos mundos criados por Castilho precede o ato fotográfico. Inicia-se no pensamento, no rico repertório que o alimenta seja da literatura, do cinema ou das artes visuais. As fotografias são o resultado de pesquisas, de referências vitais para sua criação. Talvez, por isso não nos admira que Castilho coloque em sua palestra, por duas vezes, o poeta João Cabral de Melo Neto a nos declamar. O por quê? Palavra enquanto discurso imagético. É, pode ser…
Mas, a intensidade e complexidade da obra de Castilho se amálgama também a Ernesto Neto – mestre em escultura e instalações – e ao artista Gordon Matta-Clark. Porém, a relação com a intervenção no meio ambiente como em “Tempero” ou “Linhas” tem uma forte ligação com a land art. O que nos faz lembrar de grandes nomes como Richard Long, Robert Smithson ou mesmo Nancy Holt e Dennis Oppenheim. Lembrou-me ainda, Ger Dekkers e Mac Adams. Castilho traz nos últimos ensaios o deslocamento do objeto para a sublimação da ideia. Daí, o meio se coloca como esforço em suplantar o quadrante da câmera. A fotografia é redefinida como canal de subversão do mundo visível. As imagens evocam questões refinadas postas por sua fotografia conceitual. Como ele próprio fala: “A arte se alimenta da arte. É uma forma de trazer algo novo”.
Vimos a cadência dos ensaios de João, sempre com um hiato de que precisamos ver pausadamente suas imagens, para assim enxergá-las mais profundamente. Estavam lá, os mundos contorcidos pela imaginação em: Redemunho (2006), Lote Vago (2007), Marie Jeanne (2007), Tempero (2009), Peso Morto (2010) e Metamorfose (2010). Observamos ainda que a maior beleza da arte de João Castilho é sua busca deliberada em pesquisar para se chegar ao ponto das belas incertezas (como faz) do que das pífias verdades.
Para mim, estar na apresentação de Castilho foi entender o lugar da obra que transborda em teias de ideias, de emaranhados simbólicos… A intensidade de sua poética está na atmosfera flutuante do que supomos saber sobre temas tão profundos como identidade, lugar, não-lugar, corpo, pertencimento, alegoria do tempo, das palavras. Como declamou João Cabral de Melo Neto, “uma pedra de nascença entranha na alma”. Parece ser assim que Castilho vive sua arte. E para entender toda essa digressão sobre Castilho, só vendo o que vimos.

Fotos: João Castilho
Temperos, 2009

Linhas, 2009

Linhas, 2009
João Castilho no Olhavê: Entrevistando e Processo de criação 1 e 2.

O World Press Photo desclassificou o ensaio “Street fighting” do fotógrafo Stepan Rudik. Segundo o release da organização, elementos foram retirados de uma imagem.
Para ler o release, aqui.
No site do WPP, a foto já foi retirada e um dos poucos locais na web que tem algum rastro do ensaio é no blog do fotógrafo Raphael Günther.

Foto: Arnold Borgerth
O fotógrafo carioca Arnold Borgerth é o convidado do projeto Foto em Pauta, que acontece na quinta-feira, dia 4 de março, a partir das 19 horas, no Multiespaço Oi Futuro, Belo Horizonte. No Foto em Pauta, Arnold apresentará uma pequena retrospectiva de sua obra incluindo trabalhos do princípio de sua carreira em Belo Horizonte na década de 80, até imagens mais recentes ainda desconhecidas no Brasil.
Criado em 2004 pelo professor de fotografia da PUC Minas, Eugênio Sávio, o projeto “Foto em Pauta” traz a Belo Horizonte renomados fotógrafos que mostram sua obra através de projeção e conversam com o público.
Transmitiremos o encontro pela internet, ao vivo.
Na hora do evento, entre no nosso Twitter do Foto em Pauta para pegar o link.

Tiago Santana por Chico Alagoano e Cícera Barbosa
Tiago Santana, fotógrafo cearense e um dos responsáveis pelo deVERcidade, falou algumas vezes que não sabia como chamar o evento… Festival, encontro…
Acho que eu teria a resposta: Fotografia. O deVERcidade é fotografia brasileira e não é só um “faz parte” da fotografia brasileira. Faz tempo que só o clique definia o fazer fotográfico. É reduzir demais.
Realizado pelo iFoto, o deVERcidade é uma experiência gratificante e consolida o momento da fotografia nacional. Bem feito, honesto, coerente, profissional, feliz, são só alguns adjetivos para o evento que mistura Mestre Júlio dos Santos (fotopintor) e Seu Chico Alagoano (fotógrafo popular) com projeções e DJs ao vivo, mais palestras, oficinas, filmes com 5 D Mark II, homenagem a Mario Cravo Neto, chorinho e quermesse…
Tinha a vontade de ir para esta edição do deVERcidade e quando Tiago me convidou para ministrar uma oficina, fiquei mais instigado ainda. Ao chegar, na primeira noite, senti que o negócio era especial.
Um dia, fui entrevistado por uma repórter sobre as projeções com trabalhos dos fotógrafos selecionados e falei da alegria em ver alguns nomes que já apareceram e aparecem pelo Olhavê, como por exemplo: Pedro David, Fernanda Prado, Leonardo Costa Braga, Gustavo Pellizzon entre outros. Daí pensei que o trabalho mais bonito não era de ninguém específico, era o “todo”.
A fotografia que colocaria na minha galeria (se tivesse uma) é a da ruínas com toda aquela profusão de luzes, imagens, sons e ideias. A obra é o conjunto. A fotografia é o deVERcidade.
Parabéns ao pessoal do iFoto + deVERcidade, principalmente Bia Fiuza, Tiago Santana e Silas de Paula. Todos estão de parabéns.

Fotos: Filipe Acácio



Foto: João Castilho
A palestra da Cia de Foto, com Pio Figueiroa e olhar atento de Carol Lopes, foi pautada pela homenagem.
Começou com uma reverência aos fotógrafos Tiago Santana e Celso Oliveira, quando Pio lembrou que já foi do Recife até João Pessoa de bicicleta para ver a abertura de uma exposição de Celso e Tiago. “Foi a primeira vez na vida que não dormi por causa de um trabalho fotográfico”, confessa Pio. Foi uma fala de reconhecimento e admiração. Depois, influenciado pela palestra de J. R. Ripper, Pio enalteceu o trabalho humanista de Ripper e sublinhou alguns pontos tocados por ele, dias antes. Citou, principalmente, a relação de Ripper com o fotografado, que ele considera co-autor. Como no caso de um ensaio com mulheres que são marginalizadas porque abortaram. Ripper, após clicar, deixa que as fotografadas deletem as imagens que elas não consideram oportunas. Segundo Pio Figueiroa, “é o contemporâneo ao extremo”.
Para encerrar a palestra, Pio e Carol mostraram algumas fotos deste ensaio sobre o aborto feito por Ripper. Na realidade, mostraram uma ressignificação da obra do autor. A Cia de Foto pegou alguns RAWs de Ripper e colocou a sua interpretação, mostrando as fotos em cor. Rompendo a estética preto e branco de Ripper. “Foram escolhidas 4 imagens. Todas elas retratando gestos simples, contidianos. Nossa escolha foi tratar o aborto com um gesto, simples e afetivo. As fotos foram reeditadas em cores. Eis outra palavra presente em nosso workshop: afetividade”, completa Pio.
Aberto o espaço para perguntas, Ripper, no alto da sua serenidade e placidez, fala: “as fotos poderiam estar com o crédito da Cia de Foto que seria o maior prazer.”

Fotos: J. R. Ripper + Cia de Foto
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