O livro Peso Morto, de João Castilho, apresenta questões muito próximas das possibilidades de caminhar entre a potência física de um livro, da irredutibilidade simbólica do seu conteúdo e da contemplação estética que se espera encontrar nas imagens que nele estão. Esses pontos são factíveis em qualquer obra como uma tradição.
Costumo abrir livros de fotografias e contemplar as imagens fotográficas. Após esta “primeira leitura”, me detenho às referências textuais, ao processo criativo, aos conceitos trazidos pela produção do autor. Preciso sentir a obra em seu todo, passar pelo rito de hipóteses, sensações, deslocamentos, aproximação com outros artistas, para ao final observar o avesso, os fenômenos que se apresentaram para o autor e que se transformam aos olhos do observador diante dos signos.
Protagonista de vários movimentos artísticos, Man Ray morreu em 1976 quando já estava com 86 anos de idade. Como alguns de seus contemporâneos – Cartier-Bresson (1908-2004) ou Helmut Newton (1920-2004) – que legaram à fotografia os fundamentos que, até hoje, nos esfregam impiedosamente a busca de novidades.
O registro fotográfico vai além da analogia, do que aparenta ser. O fragmento do tempo, a memória, a sensação de realismo, a simbologia e, sobretudo, a subjetividade são questões relevantes para a compreensão do fazer fotográfico. A riqueza das fotografias, sejam artísticas ou documentais, transcende o próprio olhar.
Sinceramente, nunca parei para refletir sobre os pêlos faciais. Em termos de imaginário, os “barbudos” sempre nos rondam desde muito cedo através de representações mais pueris como na imagem de Papai Noel ou na emblemática figura de Cristo. E então, nos recordamos de algum avô “envolto” numa terna barba branquinha, tão fofa que parece de algodão como as crianças costumam dizer. No entanto, conheci um livro português raríssimo, “A Barba em Portugal”, de J. Leite de Vasconcelos, edição de 1925, que me fez adentrar no maravilhoso mundo – por mim desconhecido – da história do uso da barba