Nico Silberfaden apresenta crianças, cujas identidades respiram a extensão das coisas, dos objetos escolhidos. A dinâmica nonsense alarga os significados dos valores materiais. Gestos e situações geram os símbolos da rede social que toca a todos nós.
Muito embora, a fotografia de arquitetura seja entendida por alguns como árida, excessivamente concreta e formalística, para o campo das ideias e do conceito, tais imagens são reveladoras (como não pensar aqui nos fotógrafos alemães Bernd e Hilla Becher e em sua complexidade dos espaços num tempo pós-industrial).
As cenas fotográficas de Jan Adamsky promovem uma reflexão complexa sobre o registro cotidiano e a vulnerabilidade do imaginário. O olhar organiza os distintos contextos temáticos ao transcender a materialidade dos fatos.
Como é sério pensarmos que sempre o que vemos é representação. Quando algo sugere uma relação de reconhecimento, o conforto visual é imediato. No entanto, quando a simplicidade do objeto fotografado é a protagonista da criação, passamos a questionar o que pode vir a impressionar.
O fotógrafo Ricardo Labastier exprime nesse ensaio a condução de sua percepção instigante, assim como um dos componentes mais caros ao processo criativo: a entrega.
Os poucos mais que três minutos, nos fazem lembrar o teórico Gilles Deleuze, quando avalia que o tempo é necessariamente uma representação indireta, porque resulta da montagem que liga uma imagem-movimento a outra, uma matriz ou célula de tempo.
O tema é recorrente. Como não recordar dos retratos no metrô e na rua do clássico Walker Evans. Contudo, há dinâmica e fruição de sentidos no ensaio. A sombra para Javier Ucles é um artefato de linguagem que encaminha o olhar do espectador para o vazio, para a ausência de referentes e de ficções indiscriminadas através de cada retrato.
Cercada de pensamentos sobre o legado visual do seu avô, Lorena nos apresenta o talento de uma grande fotógrafo “anônimo”. As fotografias são incrivelmente sedutoras, delicadas… De um frescor peculiar.
De certo, o deslumbramento fotográfico na recepção nunca será senso comum, mas pode se revestir em recurso profundo de aproximação diante das fotografias.