<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Olhavê &#124; Perspectiva</title>
	<atom:link href="http://www.olhave.com.br/perspectiva/?feed=rss2" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.olhave.com.br/perspectiva</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sun, 11 Mar 2012 22:54:23 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=</generator>
		<item>
		<title>Mariana David</title>
		<link>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=1034</link>
		<comments>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=1034#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Mar 2012 22:39:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[H-O]]></category>
		<category><![CDATA[BA]]></category>
		<category><![CDATA[ensaio]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana David]]></category>
		<category><![CDATA[Salvador]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=1034</guid>
		<description><![CDATA[<div>Salvador (BA), 1982.</div>
<div style="text-align: justify;">Meu primeiro contato com a fotografia veio com as muitas fotos da família, todas bem guardadas em álbuns que até hoje me divertem e emocionam.</div>
<div style="text-align: justify;">Em 2003, me formei em Direito, já decidida a mudar os rumos. Foi neste mesmo ano que fiz meu primeiro curso de fotografia, na Casa da Photographia de Salvador. Comecei com uma Nikon 35mm, analógica, que sigo usando e amando. Continuei fotografando, mas, apesar disso, fui estudar Antropologia. Durante o curso, comprei uma câmera digital e comecei a fotografar mais regularmente.</div>
<div style="text-align: justify;">Em 2008, fui selecionada em um edital de Salvador e tive a minha primeira exposição individual. Nos anos seguintes, continuei participando de diferentes mostras e concursos da cidade. Em 2009, fui premiada nos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia.</div>
<div style="text-align: justify;">Sempre  atuei como fotógrafa freelancer, fotografando os principais grupos de  teatro e dança de Salvador, além de colaborar com frequência para publicações locais. Ciente de que precisava estudar, decidir ir morar em Buenos Aires, onde fiz um série de cursos e trabalhei como assistente do  fotógrafo Alejandro Montes de Oca e do artista e professor Augusto  Zanela.</div>
<div style="text-align: justify;">
<div>Atualmente, curso mestrado em Historia da Arte Latino-americana em  Buenos Aires, onde minha pesquisa tem como foco a fotografia  latinoma-ericana do séculos XX e XXI. Vivo entre Salvador e Buenos Aires,  onde desenvolvo e penso os meus projetos autorais, razão de toda a  minha busca e amor em relação à fotografia.</div>
<div><a href="http://cargocollective.com/marianadavid" target="_blank">http://cargocollective.com/marianadavid</a></div>
</div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Antes do começo, se vê de uma forma. Antes do começo, se sente de uma maneira. Antes do começo, pensamos de um modo que só parece existir aquele.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes do começo, é o recuo, a curva que ainda não contornamos. O antes é a fotografia que surge e nos guarda na imagem. O começo é quando passamos a lidar com o mundo pela fotografia. Quando encontramos em sua longevidade a cavidade de afetos, significados, conflitos, ideias, algumas verdades, um punhado de mentiras (ou o inverso), a compreensão de uma época, moldes de brincar de ser, de representar sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse mundo visual, o tempo não é linear, mas sim da ordem de naturezas diversas que alinhavam a memória. Passamos então a ter a impressão de dissolver-se em imagens. A fruição passa a ser uma grande experiência, a iminência da passagem. Sempre um começo. A fotógrafa Mariana David de gesto minucioso vai de uma ponta a outra desta curva. Propõe visões distintas pela fotografia.</p>
<p style="text-align: justify;">Incipiente, talvez determinarmos o trabalho de Mariana por gêneros e funções em seu modo de lidar com essa linguagem. Então, por substituição, consideremos poesia e estratégia para situarmos modos pelos quais ela processa a expressão fotográfica.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Antes</em> (2010), há o gesto solto, a paisagem baça. Coisas poucas, coisas delicadas. Algo que ocorre involuntariamente em sincronia com o que virá depois. A delicadeza e os contornos subjetivos da narrativa deste trabalho desvelam o ato de perceber como <em>manufatura </em>do olho. É relacional ao grau de doação que você comparte com as imagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Ausências habitadas</em> (2011), Mariana David, insere a estratégia conceitual do desconforto, da entrevisão por meio da paisagem que compõe os indivíduos e suas ramas vermelhas. O que fizera de rarefeito em <em>Antes</em> é aqui composto de situações incompatíveis para abrigarem embates entre representação, interferência e retórica contemporânea. Ou seja, um modo seu, peculiar, de chegar na outra ponta da curva, onde podemos parar para pensar no quão fértil é lidarmos com o mundo através desse encontro. Quando começamos a deslocar por símbolos, quando a fotografia começa a fazer sentido para cada um de nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Por Georgia Quintas, março de 2012.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?feed=rss2&#038;p=1034</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Israel Souto Campos</title>
		<link>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=1028</link>
		<comments>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=1028#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 10 Mar 2012 14:41:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[H-O]]></category>
		<category><![CDATA[CE]]></category>
		<category><![CDATA[ensaio]]></category>
		<category><![CDATA[Fortaleza]]></category>
		<category><![CDATA[Israel Souto Campos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=1028</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Fortaleza (CE), 1981.</p>
<p style="text-align: justify;">Formado em Pedagogia pela UVA– Universidade Federal do Acaraú (2000) e em Publicidade e Propaganda pela UNIFOR – Universidade de Fortaleza (2008). Durante o período deste último, desenvolve o aprofundamento técnico/teórico de seus estudos em imagem a partir do contato com a cinematografia de comerciais e de curtas-metragens locais. Atuou paralelamente na fotografia publicitária entre 2005 e 2009. Desde 2010, persegue a difícil tarefa de desenvolver trabalho autoral relevante, aproximando-se de releituras de conceitos relativos a poesia escrita e do próprio fazer fotográfico.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.israelcampos.kit.net/" target="_blank">http://www.israelcampos.kit.net/</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Para alguns artistas, a relação com sua arte é um salto, um arroubo de sentido por algo que se vive intensamente. Uma experiência onde a linguagem que o situa no mundo lhe ajuda a seguir criando como uma maneira de encontrar respostas. O gesto do salto surge como metáfora no processo de criação, assim como um atalho que dá a sensação de que há caminhos tortuosos, mas necessários e definitivos para a maturidade de quem quer apenas construir e refletir suas imagens.</p>
<p style="text-align: justify;">No trabalho <em>Reminiscências</em> (2009-2011), de Israel Souto Campos, nada é por nada. Tudo parece inevitável, imprescindível. Como se cada imagem nascesse assim, tivesse uma gênese natural, colada na poesia que lhe faz experimentar. Talvez isso tudo seja possível porque, como o pintor norte-americano Richard Estes afirmava, a fotografia não é a última palavra em realismo. E não é mesmo. Israel descarrilha a realidade por uma estética nebulosa, como que realizada a golpes de sonhos.</p>
<p style="text-align: justify;">O gesto retorna. As ranhuras e riscos – mais do que interferência – obscurecem o objeto, o campo de visão. Israel emula a materialidade através de representações etéreas, incongruentes e misteriosas. Cria assim uma superfície de imprecisão sígnica, fazendo com que o olhar escave, revolva a essência da imagem ou do que dela poderia nos ensinar.</p>
<p style="text-align: justify;">Do salto pela criação, ganhamos fôlego para cairmos no abismo da interpretação ou flutuarmos na terna beleza de algo que Israel quer expressar ora de forma áspera, ora de modo doce. Nessa dimensão, o ensaio guarda sua potencialidade por trás das asas de um anjo. Intocáveis são os anjos tanto quanto são improváveis as imagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Por Georgia Quintas, março de 2012.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?feed=rss2&#038;p=1028</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Luana Navarro</title>
		<link>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=1048</link>
		<comments>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=1048#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 10 Mar 2012 14:35:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[H-O]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[Curitiba]]></category>
		<category><![CDATA[Luana Navarro]]></category>
		<category><![CDATA[Paraná]]></category>
		<category><![CDATA[PR]]></category>
		<category><![CDATA[reperesentação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=1048</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Curitiba (PR), 1985.</p>
<p style="text-align: justify;">É formada em Comunicação Social – Jornalismo (PUCPR - 2009), e aprofundou seus estudos sobre fotografia no Núcleo de Estudos da Fotografia (Curitiba 2007-2009). Em 2010 recebeu o XI Prêmio Marc Ferrez Funarte de Fotografia – produção crítica e teórica, desenvolveu o projeto <em>Imaginários Compartilhados</em> através do Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 2009 e o projeto <em>Fordlândia</em> através do mesmo programa no ano de 2010. Atualmente realiza o projeto <em>Espreme que sai sangue</em> pela Bolsa Produção em Artes Visuais da Fundação Cultural de Curitiba.  Vive e trabalha em Curitiba.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://luananavarro.com/" target="_blank">http://luananavarro.com/</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na pele e da pele, revisamos estatutos, <em>tiramos</em> do corpo o que vai além do que é indefectível a cada silhueta. Na arte, o território do corpo reverbera, tanto na performance, na autrorepresentação como na figuração, estágios e estados de reflexão em distintas proporções. Umas vezes, o corpo emana o real (pela mimese), outras vezes rompe os paradigmas de sua própria forma. E seguimos, através de envolvimentos e provocações.</p>
<p style="text-align: justify;">Na pele e da pele, ela poderia ser sutil. Prefere não ser. A fotógrafa Luana Navarro descortina seu corpo por frontalidades, redundâncias e encenações. Faz algo que preciso mencionar o sempre irretocável Vilém Flusser quando define o signo como “fenômeno cuja meta é outro fenômeno”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas imagens <em>Micro-Resistências</em> (2008-2011), Luana apresenta a investigação simbólica sobre o corpo em lugares plausíveis e espaços inóspitos. Propõe colocar aparentemente impávida, <em>costurando</em> tensões, a pose entregue ao sentido especial do simbolismo. Fragilidade e vulnerabilidade estimulam saídas para este trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">No ensaio <em>Do que sou e não posso dizer que sou</em> (2010), apesar de ser autorretratos, a identidade é velada, ampliando a percepção sobre a temática que problematiza sentimentos profundos. As fissuras e entranhas desarticulam o índice para a falácia de formas vulneráveis. Nesse trabalho, Luana Navarro descortina o corpo do sentido estético e indicial. Revela o avesso, marcas e suturas que ressaltam a força dramática subjetiva deste ensaio.</p>
<p style="text-align: justify;">A técnica artesanal enfatiza a materialidade – o que causa ainda mais o impacto visual. Luana Navarro imprime nesses dois trabalhos a inquietação pelo que carregamos em nosso corpo e que a fotografia, de alguma maneira, lança luz ao que está dentro e diante de nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Por Georgia Quintas, março de 2012.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?feed=rss2&#038;p=1048</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Gilvan Barreto</title>
		<link>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=980</link>
		<comments>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=980#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 17 Jul 2011 01:18:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[A-G]]></category>
		<category><![CDATA[ensaio]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[fronteira]]></category>
		<category><![CDATA[Fronteiras]]></category>
		<category><![CDATA[Gilvan Barreto]]></category>
		<category><![CDATA[Líquido - retratos congelados]]></category>
		<category><![CDATA[PE]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=980</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Jaboatão dos Guararapes (PE), 1973.</p>
<p style="text-align: justify;">Gilvan Barreto reside no Rio de Janeiro mas já viveu em São Paulo e Londres, onde começou a fotografar em 1994. Cursou Jornalismo em Recife.</p>
<p style="text-align: justify;">Participou de exposições coletivas no Brasil e no exterior, como em "Amrik - Um Retrato da Presença Árabe na América Latina", mostra apresentada em mais de 20 países, e em “El paisaje, La habitación, La persona", no Centro Cultural da Espanha na Nicarágua.</p>
<p style="text-align: justify;">Profissional selecionado para a leitura de portifólio do Photo España por dois anos consecutivos: 2009 (São Paulo) e 2010 (Manágua). O fotógrafo tem imagens no acervo permanente do Museu das Descobertas, em Belmonte, Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;">Além dos trabalhos autorais, dedica-se a fazer retratos e a documentar temas sociais e ambientais para organizações internacionais como Oxfam, Greenpeace e UNICEF.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi editor da revista Caminhos da Terra, quando realizou reportagens fotográficas na África, Ásia, Europa e Américas. Foi editor de imagens do Universo On Line (UOL) e sócio Agência Lumiar de Fotografia.</p>
<p style="text-align: justify;">Fotografou para veículos estrangeiros como National Geographic (Brasil, Alemanha e Holanda), El País (Espanha), GQ (Portugal), além de colaborar com diversas publicações nacionais. É colunista do <a href="http://www.porqueagenteeassim.com.br" target="_blank">www.porqueagenteeassim.com.br</a>, fórum permanente e interativo  de discussão e reflexão sobre valores e opções morais do cotidiano dos brasileiros.</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Muito antes deste texto ser escrito, troquei alguns bons e-mails com o fotógrafo Gilvan Barreto. Tomada pelo interesse de entender o processo pelo qual Gilvan vive sua produção fotográfica, cheguei à premissa que muitas vezes a fotografia é como uma fronteira da imensidão de nós mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">Gilvan Barreto – pernambucano de Jaboatão dos Guararapes, radicado no Rio de Janeiro – revela o desassossego da criação, da vontade em despertar imagens fotográficas que solfejem ares autônomos de elementos simbólicos, inerentes ao exercício do movimento de pensar e propor particularidades reflexivas do que vivemos e sentimos entremeados pela fotografia. No que pese seus aspectos transformadores em criar elos com imagens íntimas, bem à parte do que o faz ser um reconhecido e experiente fotógrafo no meio editorial, Gilvan parte para novos encontros.</p>
<p style="text-align: justify;">Ultimamente, Gilvan experimenta imagens. Em <em>Líquido, retratos congelados</em> (Fotos 8~12), os elementos de busca estão no quão inefável é nossa relação sobre a retenção das coisas e dos amores. Partindo de imagens familiares, ele traça um esquema árduo de apreensões desejantes. Seja por uma tentativa física de reter, congelar a sua memória afetiva do aconchego simbólico recriado pela força do imaginário. O gelo é trabalhado por Gilvan, metaforicamente aqui, pelo viés da conservação, por estancar um processo de tempo, perda, vida e afetos. Mas é também um elemento ambíguo pois revela a fluidez incontornável do gesto, da inocência em conduzir a lembrança para uma condição subliminar da imagem fotográfica apropriada de seu ábum de família. O que vemos, não é o documento dos seus pais, mas entretanto a pertinência de reconduzi-los para si, em seus pensamentos. Toda memória se alimenta de imagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Fronteiras</em> (Fotos 1~7), guiados por uma fita vermelha, entramos e saímos de limites. Como que um fio trouxesse vestígios de espaços (talvez sonhados, talvez possíveis). Dissociado dos referentes mais mundanos, os quais cercam nossa percepção, o ensaio abstrai o próprio tema. Os signos incorridos por Gilvan flutuam entre o lúdico e o discurso da aderência pelo encanto da poesia de uma simples fita vermelha. O que recai sobre a estética, recai também em busca de suas margens, do sentido de si envolto em espaços. O ensaio lança, assim, não apenas imagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Por entre a análise processual dos códigos utilizados por Gilvan, seria bem possível acreditarmos se, por ventura, nos dissesse que a fita vermelha fizesse parte de coisas vividas. Com sutileza, a fita ganha propriedades e sentido. Somos envolvidos por esse eixo das tentativas em trazer territórios subjetivos e pessoais.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, simplesmente, Gilvan comprou a fita vermelha. Determinado, resolveu pensar em suas fronteiras geográficas, físicas, desejadas e sonhadas. Num vislumbre de dialogar com um repertório singular que se convertesse em simbólico, a fita passou a ser um dispositivo de tentativa. Vale pensar nessas imagens como adormecidas num cômodo nobre onde Gilvan aguardou por um tempo para chamá-las. Belo processo de inquietação fotográfica.</p>
<p style="text-align: justify;">Por Georgia Quintas, julho de 2011.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?feed=rss2&#038;p=980</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Jonas Grebler</title>
		<link>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=998</link>
		<comments>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=998#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 17 Jul 2011 01:18:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[H-O]]></category>
		<category><![CDATA[BA]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[documental]]></category>
		<category><![CDATA[Dois]]></category>
		<category><![CDATA[ensaio]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Homem/Peixe]]></category>
		<category><![CDATA[Jonas Grebler]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=998</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Salvador (BA), 1979.</p>
<p style="text-align: justify;">Jonas Grebler é fotógrafo desde 1998. Durante a faculdade de Jornalismo, ironicamente, começou a se interessar por temas que fugiam à objetividade e ao mero registro. Após as experiências iniciais em veículos da imprensa, ele passa a trabalhar na Editora Corrupio, responsável por descobrir e publicar, no Brasil, a obra de Pierre Verger. Neste período começa a desenvolver trabalhos autorais.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2006, viaja a Europa, onde residiu em Barcelona e posteriormente em Londres, colaborando com a revista Jungle Drums. Na volta ao Brasil, em 2008, passa a colaborar com as revistas Casa Vogue e Casa Claudia, paralelamente a seus trabalhos autorais.</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito espesso, muito obscuro, muito velado. As imagens que pensamos existirem, embora voláteis entranham-se em nossa percepção. Às vezes muito mais pelo que deixam de soslaio. Nas imagens que guardamos para nós, há porquês reconhecíveis e outros nem tanto. Confessamos o tempo todo nossas inclinações estéticas quando somos capazes de justificá-las. Não para assegurar que elas sejam importantes para o nosso entorno ou que sua beleza instigante seja a razão para toda e qual compreensão mais aprofundada do que vemos. Há casos em que as imagens se constróem pela singularidade do olhar em rever o mundo com a potencialidade da fotografia. Assim vi os ensaios <em>Homem/Peixe</em> (Fotos 1~5) e <em>Dois</em> (Fotos 6~12), do fotógrafo Jonas Grebler.</p>
<p>Agora, refletindo e revendo em minha memória as fotografias de Jonas, faço esse percurso de contemplação, vejo o que restou delas em mim. Volto para elas, com a sensação de que houve um convite mudo – de coisas e homens – que se exilam nestes ensaios. O convite foi feito. É só olhar. Se não percebeu, olhe novamente. Sinta o quanto de mar, sal e peixe impregnam esse convite. Convite esse que dá voltas pela saturação, pelo contraste, muito mais pelo controle de luz de Grebler do que da indefectível natureza que rege o tema. Os pescadores e peixes de Jonas Grebler alinham-se na aura irreal e distanciam-se da sensação corriqueira inerente ao conteúdo documental.</p>
<p>Em <em>Dois</em>, devo lembrar do escritor argentino Julio Cortázar quando diz: <em>“Não descrevo nada, tento entender”</em>. Sejamos lúcidos, as coisas quando colocadas terrivelmente isoladas do seu contexto, escondidas em partes, na penumbra, reviram nossa relação de certeza e nos lançam para o jogos do sentido dos signos. Os objetos reconduzem cenas por meio dos referentes encontrados por Grebler pela Chapada Diamantina.</p>
<p>Para o fotógrafo, <em>Dois</em> pesquisa os vestígios de intervenções humanas e contrastes entre as paisagens produzidas pela mão do homem e pela natureza. A leveza com que representa as coisas em seus lugares é um dos pontos a ser observado neste ensaio. Lírico, simples e belo, assim o ensaio nos mostra cada coisa carregada de significados íntimos. Muito além da função temporal e especial que desempenham. Jonas Grebler traduz a emoção das coisas num sopro suave, descortinando a iconicidade. Os dois ensaios operam laços poéticos que nos ajudam a pensar na imagem fotográfica como uma lufada de particularidades hermenêuticas, graças ao poder simbólico que ela gera em nós.</p>
<p>Por Georgia Quintas, julho de 2011.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?feed=rss2&#038;p=998</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Talita Virgínia</title>
		<link>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=954</link>
		<comments>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=954#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 May 2011 13:24:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[P-Z]]></category>
		<category><![CDATA[documental]]></category>
		<category><![CDATA[documentarismo]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[pai]]></category>
		<category><![CDATA[polícia]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[SP]]></category>
		<category><![CDATA[Talita Virgínia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=954</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">São Paulo (SP), 1986</p>
<p style="text-align: justify;">Talita Virgínia, 24, é bacharel em fotografia pelo Centro Universitário Senac. Começou a trabalhar com artes na ONG Meninos do Morumbi, ministrando aulas de fotografia básica para adolescentes em 2004. Após um estágio no estúdio do fotógrafo André Schiliró em 2005, passou a trabalhar junto ao Estúdio Madalena, onde desde então produz periodicamente diversas iniciativas culturais relacionadas à fotografia. Trabalhou como monitora na Universidade, onde ingressou em 2006, e como assistente para diversos fotógrafos brasileiros, além de auxiliar fotógrafos estrangeiros em pautas no Brasil, como Alex Majoli e Christopher Anderson. Em 2008, foi fotógrafa freelancer do jornal Folha de São Paulo. Atualmente, segue experimentando as possibilidades do vídeo e da fotografia.</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Para uns, o ato de criação decorre de um novelo de conjecturas, conexões, aptidões, buscas, hipóteses, desejo, despojamento, aglutinação de idéias&#8230; Esta lista é ainda maior. Pois ocorre que o processo criativo é em si uma célula viva, dinâmica, sensorial, emocional, intelectual, alimentada por referências (pessoais e culturais), em diálogo contínuo com o cotidiano ou com a vivência do passado. Criar é um estado de continuidade, de tentativa de equilíbrio pelo resultado. Criar reverbera a inquietude da ideia com a incerteza, novamente, pelo resultado. Mas não será o resultado – revestido por palavras cunhadas como obra, trabalho, ensaio ou pesquisa – uma grande busca do ser humano pela façanha em representar?</p>
<p style="text-align: justify;">A fotógrafa Talita Virgínia nos faz pensar sobre essas questões com seu ensaio <em>Pai, Polícia </em>(2006-2010). Talita partiu do seu núcleo familiar para que a fotografia explicasse o que se passou, passara e o que está por vir nessa sua história. Na verdade, o empenho desta fotógrafa em narrar se engata na idiossincrasia da atmosfera a qual ela respirou durante toda sua vida. Este ensaio <em>Pai, Polícia</em> é o resultado de seu trabalho de conclusão de curso de graduação em fotografia, mas não só isso. Assenta-se na experiência de Talita a tarefa de recolher da figura humana do pai, policial militar em São Paulo por mais de trinta anos, traços da existência das relações de afeto e o universo da violência da profissão paterna.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao eleger um eixo familiar e ter que quer confrontar-se com questões de sua história privada, Talita, a fotógrafa, precisou acomodar seus sentimentos para testemunhar por meio da câmera o sentido do seu entorno. O ensaio surge não como um “auto-retrato”, mas como uma exposição de sua estrutura familiar, após ela própria passar por certa reflexão e recolhimento intensos sobre o que retratava. Nas imagens, a câmera não se contrapõe à intimidade – suave, observa cuidadosamente os contornos daquela família e da presença onipresente das insígnias policiais. O ensaio <em>Pai, Polícia</em> mobiliza nosso olhar por trazer à tona o documento doméstico e autobiográfico de quem fotografa. O traço jornalístico de Talita fez com que as imagens se aproximassem dela com a força de quando buscamos algo que só chegará se formos a ela.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando pergunto à Talita sobre o que foi mais forte nesse ensaio, ela me responde: “<em>Ter que me relacionar diretamente com meu pai durante as rondas em que eu ia fotografar. Eu nunca tinha tido uma aproximação como essa, nem dele, nem desse cotidiano violento banal”.</em> O processo de considerar os seus e a si própria refuta qualquer chance de facilidade por estar próximo o bastante. É, quando estamos tentando nos enxergar, a fotografia intermedia essa compreensão fazendo com que a criação ganhe outros valores pessoais e sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">E quando Talita diz, <em>“Só ponho minha energia em trabalhos nos quais eu sei o que quero dizer e pra quem eu quero dizer. Por isso que demorei tantos anos pra ter um primeiro trabalho. E com certeza vou demorar pra terminar o segundo&#8230;”</em>, temos aí pistas das particularidades de como ela se envolve com o que fotografa. Isso nos faz chegar ainda mais no interior do processo de criação das imagens desta fotógrafa. Talita é jovem e percebeu que representar fotograficamente o que sente é deixar que o olhar ganhe tempo, que as imagens se emancipem&#8230; Que a fotografia de Talita Vírginia nos ensine sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">Por Georgia Quintas, abril de 2011.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?feed=rss2&#038;p=954</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Alejandro Zambrana</title>
		<link>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=939</link>
		<comments>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=939#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 May 2011 11:29:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[A-G]]></category>
		<category><![CDATA[Alejandro Zambrana]]></category>
		<category><![CDATA[Aracaju]]></category>
		<category><![CDATA[Caboclinhos]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[folclore]]></category>
		<category><![CDATA[Lambe Sujo]]></category>
		<category><![CDATA[Laranjeiras]]></category>
		<category><![CDATA[manifestação]]></category>
		<category><![CDATA[SE]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=939</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Aracaju (SE), 1978</p>
<p style="text-align: justify;">Alejandro Zambrana é fotógrafo profissional desde 2007, trabalha atualmente na Prefeitura Municipal de Aracaju. Formado em Rádio e TV pela Universidade de Pernambuco, desenvolveu experiência fotográfica ao estagiar no Diário de Pernambuco. Apesar de pouco tempo como profissional, possui significativa vivência na fotografia, com  passagem por jornais, assessorias e campanha eleitoral. Também desenvolve trabalhos autorais, que já foram expostos no Rio de Janeiro, Juiz de Fora e Aracaju.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos quatro anos vem alternando trabalhos de reportagem e assessoria fotográfica com a  documentação que vem desenvolvendo sobre o circuito das romarias do Juazeiro do Norte e o acompanhamento dos festejos dos Lambe Sujos. Em 2011, o fotógrafo inicia um novo projeto de documentação das Taieiras de Laranjeiras, que foi recentemente aprovado pelo edital 2010/2011 do Banco do Nordeste do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Alejandro Zambrana também é um dos integrantes do Trotamundos Coletivo. Pesquisa o uso da cor no discurso fotográfico, em especial por meio do uso de filmes positivos (slides). A maior parte de seu trabalho de documentação é desenvolvida em filme, embora a fotografia digital também apareça como suporte de seus trabalhos e no cotidiano de repórter fotográfico. Recentemente, vem se dedicando ao estudo da fotografia em ambiente multimídia e às possibilidades de convergência para a elaboração de narrativas visuais.</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Lambe Sujo</em> e <em>Caboclinhos</em> são ensaios que nos puxam pelo viés documental, muito pelo fato de anunciarem manifestações populares. Outra questão ainda enfatiza essa denotação. Quando nos chega à informação de que o fotógrafo Alejandro Zambrana registra há dez anos esses tradicionais festejos sergipanos, sofremos de certa inclinação natural ao perceber o tema por seu vigor cultural – que em parte agrega o enlevo do exotismo. No entanto, quando apreendemos a estética do ensaio, a história em narrar contextos populares passa a mobilizar outras vertentes subjetivas.</p>
<p style="text-align: justify;">Alejandro Zambrana traz através da saturação da cor o encantamento de desprender-se do óbvio. As tonalidades revelam-se densas, laboriosas ao olhar. Ou seja, a percepção visual integra-se sorrateiramente nas composições. Lugares, pessoas, gestos, encenações e festividade recombrem-se de uma beleza icônica capaz de permitir que a imagem se alargue em sua dimensão conotativa. A partir desta tradição que ocorre todo ano no mês de outubro e que representa a batalha entre negros e índios pela conquista das terras da região do Vale do Continguiba (Sergipe), Zambrana envolve sua investigação visual de forma expressiva e sedutora.</p>
<p style="text-align: justify;">O fotógrafo sergipano centra o recorte temático tanto na “batalha” dos lambe sujos e caboclinhos como nas situações para a produção do festejo, em seus personagens e nos adereços. A pesquisa visual é extensa, compreendendo as mudanças na encenação durante o período de dez anos ao qual se dedicou Zambrana. A longevidade da produção dos ensaios confere alguns bons motivos para considerarmos que o trabalho de Zambrana está próximo da Antropologia. De uma Antropologia que documenta, inventaria; mas que também assimila o olhar sobre a manifestação cultural como elaboração interpretativa da percepção. Olhar esse que considera o outro em suas particularidades como a pista para compreendermos a magnitude simbólica e poética que dá sentido às tradições, a códigos sociais, rituais simbólicos, que fortalecem a memória e a história. A Antropologia já percebeu que a imagem testemunha, mas que desvela também a delicadeza e abundância da subjetividade no campo fotográfico – neste, discutimos o porquê da imagem e seu valor de fabulação. A fotografia de Alejandro Zambrana também encontrou esse caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Por Georgia Quintas, abril de 2011.</p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?feed=rss2&#038;p=939</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Elisa Mendes</title>
		<link>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=909</link>
		<comments>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=909#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Mar 2011 03:19:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[A-G]]></category>
		<category><![CDATA[amantes]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[casais]]></category>
		<category><![CDATA[casal]]></category>
		<category><![CDATA[Elisa Mendes]]></category>
		<category><![CDATA[ensaio]]></category>
		<category><![CDATA[MG]]></category>
		<category><![CDATA[Nova York]]></category>
		<category><![CDATA[NYLovers]]></category>
		<category><![CDATA[retrato]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=909</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Belo Horizonte (MG), 1983</p>
<p style="text-align: justify;">Elisa Mendes já cursou Letras e Comunicação Social, mas desistiu das palavras. Está escrevendo esta mini-biografia na maior dificuldade pois acha um absurdo falar na terceira pessoa sobre si mesma. Quando criança, tinha um laboratório de fotografia no banheiro de casa, onde aprendeu com o pai a base da fotografia analógica. Trabalhou oito anos como redatora publicitária e, em 2008, comprou sua primeira câmera e resolveu o que queria fazer na vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Fez cursos de fotografia na Escola de Belas Artes da UFMG e em 2010, foi para Nova Iorque, estudar na School of Visual Arts. Lá desenvolveu o projeto “NYLovers”, andou de bicicleta e, ao longo dos seus caminhos, também registrou a triste sonolência dos drogados e ex-drogados que vivem nas ruas da cidade, na série "Something". Voltou deportada para o Brasil e tem sua <em>mug shot</em> como seu melhor retrato 3x4. Junto com Steffania Paola, mantém o blog <a href="http://365nuncas.wordpress.com" target="_blank">365 Nuncas</a>, um projeto artístico-existencial. É autora também do <a href="http://bonitoisso.wordpress.com" target="_blank">Bonito isso:</a>, porque acredita que beleza é pra se compartilhar. Mais do seu trabalho fotográfico pode ser visto em <a href="http://myelisa.com" target="_blank">myelisa.com</a>.</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Antes de fotografar os casais, encontrados casualmente pela cidade, a jovem fotógrafa se apresentava e falava sobre seu projeto de registrar a liberdade de amar que andava pelas ruas. Ao explicar as razões em querer fazer o retrato, o significado do registro fotográfico tornara-se mútuo (entre fotógrafa e fotografado), assumindo certa sinergia de parceria pela metáfora da imagem, por seu propósito tão direto e sincero.</p>
<p style="text-align: justify;">“NYLovers” existe porque Elisa foi estudar em Nova York. Nessa viagem, a fotógrafa começou a <em>perceber muito amor</em> pelas ruas daquela cidade. Na verdade, foi a expressão das diferenças que encantou o olhar de Elisa. Então, narrou sua experiência como um achado, daqueles que só de lembrar os olhos “dançam”. Com esse ímpeto, resolveu retratar casais e famílias muito proximamente. A sensação do instantâneo prevalece, mas traz em si, em alguns momentos, a postura do consentimento. De compartilhar com Elisa, histórias de doces relações afetivas.</p>
<p style="text-align: justify;">A história ocorreu assim. Conheci a mineira Elisa Mendes numa tarde quieta em Tiradentes (durante o Foto em Pauta Tiradentes, fevereiro/2011). Pedi que se apresentasse, falasse um pouco de sua relação com a fotografia. Elisa desabafou seu nervosismo, pois nunca havia feito uma leitura de portfólio, e logo me contou sua breve experiência em fotografar. Começou a mostrar seus ensaios. Vi um, depois outro&#8230; Até que pedi para dar uma olhada no trabalho “<em>NYLovers”</em> (2010) cujo título chamou-me a atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">A fala de Elisa era tão intensa – ao comentar sobre esse ensaio –  quanto a quantidade de retratos que existia nele. A partir daí, tudo passou a se encaixar, surgia outra história, não a da moça ansiosa por saber (da  interlocutora) se algo em sua fotografia fazia sentido, mas daquele tipo de história que costuma acompanhar a fotografia como relação ampla.</p>
<p style="text-align: justify;">A principal característica em <em>“NYLovers” </em>é a frontalidade da pose que passa a ser um código de relação genuína com a imagem realizada por Elisa – antes de concretizar a fotografia. As histórias narradas pelos retratos são pessoais – faço propositalmente esse pleonasmo – e, sobretudo, revela-nos a representação da fotografia enquanto relação com o que nos toca. A percepção de Elisa Mendes conota o quão há de valioso na fotografia: os encontros,  as trocas culturais e afetivas. Sem dúvida, essa jovem fotógrafa encontrou a sensível relação com a fotografia.</p>
<p style="text-align: justify;">Por Georgia Quintas, março de 2011.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?feed=rss2&#038;p=909</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Marco A. F.</title>
		<link>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=889</link>
		<comments>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=889#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Mar 2011 03:18:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[H-O]]></category>
		<category><![CDATA[álbum]]></category>
		<category><![CDATA[ensaio]]></category>
		<category><![CDATA[Esse não sou eu]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[Marco A. F.]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[RS]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=889</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Lajeado (RS), 1984</p>
<p style="text-align: justify;" lang="pt-BR">É fotógrafo e estudante de jornalismo.</p>
<p style="text-align: justify;" lang="pt-BR">Começou a fotografar em 2002 durante uma crise existencial adolescente. Na época, sonhava em desvelar as misérias e alegrias do mundo para a revista National Geographic. Atualmente, prefere pensar a fotografia como uma forma de investigar e expressar questões internas, trabalhando principalmente temas autobiográficos.</p>
<p style="text-align: justify;">Fez parte do grupo de fotografia <em>Khaos</em>, tutoriado pela professora e fotógrafa Jacqueline Joner. Realizou as exposições individuais “Infiltrações: o desenho da água” (T Cultural Tereza Franco, Porto Alegre) e “Só” (Unisinos, São Leopoldo). Participou das coletivas “Graziela, brasileira, viúva, RG 1023330102” (Galeria dos Arcos, Porto Alegre), “África em nós” (Museu Afro Brasil, São Paulo), “Fotograma Livre” (3° FestFotoPoa, Porto Alegre), entre outras.</p>
<p style="text-align: justify;" lang="pt-BR">Atualmente vive e trabalha em Porto Alegre.</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um arquivo de fotografias familiar passa por distintos procedimentos, tradições e percepções. Atendem a desejos, objetivos e funções. Descrevem certezas por um momento, mas instauram a dúvida em outros tempos. Pensar sobre si mesmo, através dos retratos de infância, pode traduzir-se dramaticamente em sentimento de ausência por uma vida narrada em imagens que não circulam em nossa memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, uma fissura sem sentido surge no imaginário dos seus próprios retratos. Logo que vi estas doze fotografias, colocadas na mesa por Marco A. F., de uma maneira que parecia buscar certa aritmética, pensei: <em>“É como se ele tentasse lembrar um sonho&#8230;”. </em>E em poucos segundos, estava diante de um mosaico litúrgico, repleto de buscas e caminhos. Com voz pausada, o autor disse: <em>“São fotos da minha infância”</em>. O título? <em>Esse não sou eu</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Compreensivelmente, por um lado, há os que se apropriam do álbum de família como documento (em ato de atestação), do outro, há os que escavam essas imagens pelo ímpeto da subjetividade (da dicotomia de pertencer, mas de não lembrar). Para estes últimos, pesquisar, pensar e refotografar é compreender a fragilidade da imagem em nossa identidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Justamente assim, em <em>Esse não sou eu</em>, a escrita da história do protagonista é suavemente redefinida, ou melhor, reconduzida. A vivência em pensar sobre tais imagens é aproximada nos enquadramentos, editada cuidadosamente, como se tentasse enxergar o mistério de <em>ter sido</em> entre uma e outra fotografia.</p>
<p style="text-align: justify;">O trabalho de Marco é lindo, não só pela plasticidade, pelo tom magenta que nos desloca para um outro espaço, mas por nos fazer acreditar que algo guardado com amor nos ajuda a compreender quem somos. Lewis Carrol, numa missiva para certa menina, escreveu: <em>“Se você acredita em tudo, começa a fatigar os seus músculos-do-acreditar, e depois fica tão cansada que não é capaz de acreditar nas verdades mais simples”</em>. “<em>Esse não sou eu” </em>faz parte dessas verdades mais simples.</p>
<p style="text-align: justify;">Por Georgia Quintas, março de 2011.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?feed=rss2&#038;p=889</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Nati Canto</title>
		<link>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=765</link>
		<comments>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=765#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 14:37:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[H-O]]></category>
		<category><![CDATA[art]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[color]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[cor]]></category>
		<category><![CDATA[fotógrafa]]></category>
		<category><![CDATA[metro]]></category>
		<category><![CDATA[Nati Canto]]></category>
		<category><![CDATA[photographer]]></category>
		<category><![CDATA[photography]]></category>
		<category><![CDATA[pinhole]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.olhave.com.br/perspectiva/?p=765</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">São Paulo (SP), 1982.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é formada em fotografia e não sonhou desde cedo em tornar-se fotógrafa. Nati Canto já migrou do Jornalismo para a Literatura e desta para a Gastronomia, abandonando as opções citadas como também inúmeras outras que dependiam de suas variações de seu humor. Recebeu menção honrosa pelo Prêmio Sesc de Fotografia Marc Ferrez de 2007 e expôs na Mostra Livre de Artes (MOLA) no Rio de Janeiro no mesmo ano. No ano de 2009 publicou sua obra na revista ZUPI, no site da revista TRIP e expôs seu trabalho no Café Suplicy.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Janeiro de 2010 foi aceita no Curso Abril de Jornalismo da editora Abril , durante o qual participou de projetos na categoria fotografia por seis semanas. Publicou seu trabalho em revistas como Bravo!, VIP, Playboy, Nova Escola, Capricho e Vida Simples.</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; "><em>“Levei um tempo para querer me assumir fotógrafa, talvez porque no fundo eu sabia que não teria retorno”</em>, pensava a já assumida fotógrafa Nati Canto. Na verdade,<em> “foi há pouco tempo que enxerguei em mim, após quase dez anos de amadorismo que fotografar era a única coisa que eu conseguia fazer sem trocar por um novo e passageiro interesse”</em>. E continua, tentando entender os elos afetivos em fotografar: <em>“Acho que amor é isso. Amor pelo o que eu acredito que me preenche”</em>.</p>
<p style="text-align: justify; ">Imersa em suas tomadas de consciência em ser fotógrafa, Nati Canto faz suas imagens discorrerem, seguirem ideias questionando processos e posturas diante da fotografia. Em seu trabalho “Metrô”, se presta a descumprir o modelo da câmara digital; a converte numa pinhole digital e tenta vislumbrar situações e sensações a um espaço urbano corriqueiro e banal. A tonalidade, a granulação e a baixa velocidade compõe dada estética que refuta a representação documental. Em vez disso, Nati Canto expressa formas e cores que transitam na ideia de prover dado território enquanto metáfora da passagem dos indivíduos na metrópole.</p>
<p style="text-align: justify; ">Em “Hanging Women”, <em>working progress</em> iniciado em 2007, a poética suscita vários tópicos da contemporaneidade e não somente dela. Nati Canto coloca em cena o corpo da mulher em simbiose com lugares. As personagens não encaram a câmera e assim, portanto, mulheres anônimas tornam-se cartografia de sentimentos pendurados em lugares intrigantes. Entrevemos questões muito próximas da produção nas artes visuais: o corpo como guia de encenação e pressuposto de encaminhamentos conceituais. Entretanto, &#8220;Hanging Women&#8221; flerta com a performance – tão caras às ações de rupturas no campo da arte nos anos 1960 e 1970 – e revela que a linguagem não se esgota no enunciado. As mulheres inventadas, que mais parecem sair de fábulas, nos levam com elas para dentro da imagem.</p>
<p style="text-align: justify; ">Por Georgia Quintas, abril de 2010.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.olhave.com.br/perspectiva/?feed=rss2&#038;p=765</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
