Gustavo Pellizzon

Há imagens que nos tiram do real, do nosso entorno, da vida prosaica cotidiana. Há imagens que surgem deste mesmo entorno (não do nosso, de outrem), mas que, no entanto, conotam novas particularidades à nossa percepção. Surge então o deleite, a contemplação sobre o implícito que povoa a plasticidade e sua capacidade de nos guiar em ficções e em estórias de histórias. O ensaio de Gustavo Pellizzon é tangivelmente assim. Maturou a realidade dura de uma região sofrida e trouxe a beleza dramática das cores e seus significados contidos. A obscuridade nos rostos delineia ainda mais a sensação mágica de desvelamento nestas imagens.

Gustavo Pellizon percebe a fotografia como ato de mergulho e transposição de sua visão introspecta. “A câmera me faz fazer coisas que não faria, me faz mergulhar em um universo que pode ser meu e também de outros.  Fotografar é um momento meu e do meu inconsciente que transcende para os outros. Fotografar é ter um universo em sua mente e poder colocá-lo para fora”, reflete. A inquietude de suas cores faz parte de sua admiração por grandes nomes da fotografia brasileira como Miguel Rio Branco e Maureen Bisilliat.

Outro ponto que o ajuda a criar seu universo imagético vem de seus enquadramentos que ora enfatiza pelo detalhe do elemento fotografado ora se aproxima sem cerimônias do retratado. Torna as coisas fluidas no jogo das percepções… O autor André Rouillé coloca o seguinte: “Ora, contrariamente ao que se pode experimentar com a prática fotográfica a mais banal, a verdade, aliás, como a realidade, jamais se desvenda diretamente, através de simples registro, A verdade está sempre em segundo plano, indireta, enredada como um segredo”. O processo de captura de Pellizon por sua vivência das “coisas” – intermediada pela fotografia – assemelha-se à ideia de Rouillé. Que bom que os outros estabelecem segredos para nós…

Por Georgia Quintas, março de 2010.

Outro ponto que o ajuda a criar seu universo imagético vem de seus enquadramentos que ora enfatiza pelo detalhe do elemento fotografado ora se aproxima sem cerimônias do retratado. Torna as coisas fluidas no jogo das percepções… O autor André  Rouillé coloca o seguinte: “Ora, contrariamente ao que se pode experimentar com a prática fotográfica a mais banal, a verdade, aliás, como a realidade, jamais se desvenda diretamente, através de simples registro, A verdade está sempre em segundo plano, indireta, enredada como um segredo”. O processo de captura de Pellizon por sua vivência das “coisas” – intermediada pela fotografia – assemelha-se à ideia de Rouillé. Que bom que os outros estabelecem segredoOutro ponto que o ajuda a criar seu universo imagético vem de seus enquadramentos que ora enfatiza pelo detalhe do elemento fotografado ora se aproxima sem cerimônias do retratado. Torna as coisas fluidas no jogo das percepções… O autor André Rouillé coloca o seguinte: “Ora, contrariamente ao que se pode experimentar com a prática fotográfica a mais banal, a verdade, aliás, como a realidade, jamais se desvenda diretamente, através de simples registro, A verdade está sempre em segundo plano, indireta, enredada como um segredo”. O processo de captura de Pellizon por sua vivência das “coisas” – intermediada pela fotografia – assemelha-se à ideia de Rouillé. Que bom que os outros estabelecem segredos para nós…s para nós…

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