Manu Melo Franco

“Nunca ganhei prêmios, nunca expus minhas imagens, nunca participei de concursos. Fotografo pra me entender, pra reviver e reinventar minhas memórias, pra brincar com as gavetas do meu peito”. Esta é Manu Melo Franco. Direta, assertiva e sensível ao seu espírito e ao que a fotografia pode retirar de suas “gavetas”. Quando vemos seu ensaio p&b, “Des-água”, particularmente a fotografia do menino emergindo da água, impossível não lembrarmos de Claudia Andujar. O clima feérico, a imagem-sonho que lateja é encantadora. Tanta beleza numa só fotografia que entorpece. Depois, o ensaio deságua translúcido, na dinâmica plástica do claro-escuro que ajuda a reverter o tema em tônica sutil do onírico.

Manu, a fotógrafa, sabe bem que “casar-se” com a câmera tem suas crises. Após encontrá-la e vivê-la intensamente, vieram os questionamentos e uma espécie de esgotamento do olhar. E descobriu que só pensando muito e pesquisando se vive mais tranquilamente com ela. Daí, pensamos que, paradoxalmente, o ato de fotografar parece fácil para Manu porque suas imagens possuem estilo. E assim, o discurso acontece através do emaranhado de sensações que a relação simbólica da água abarca. Outro caminho percorre o ensaio “Em dia de chuva eu me seco assim”. Brincadeira, invenção, exercício de propor a graça formatada por um objeto (a geladeira) e seus adereços surreais. Manu faz deste ensaio uma construção de signos que, de tão plástico, torna-se curioso entender o significado de tais imagens. Cada um vai encontrar uma saída para este ensaio de Manu, não importa os sentidos. Importa a ação do criar que ela nos sugere. Que a criatividade desta jovem fotógrafa sempre aporte, sobretudo, ideias.

por Georgia Quintas, março de 2010.

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