











Antes de fotografar os casais, encontrados casualmente pela cidade, a jovem fotógrafa se apresentava e falava sobre seu projeto de registrar a liberdade de amar que andava pelas ruas. Ao explicar as razões em querer fazer o retrato, o significado do registro fotográfico tornara-se mútuo (entre fotógrafa e fotografado), assumindo certa sinergia de parceria pela metáfora da imagem, por seu propósito tão direto e sincero.
“NYLovers” existe porque Elisa foi estudar em Nova York. Nessa viagem, a fotógrafa começou a perceber muito amor pelas ruas daquela cidade. Na verdade, foi a expressão das diferenças que encantou o olhar de Elisa. Então, narrou sua experiência como um achado, daqueles que só de lembrar os olhos “dançam”. Com esse ímpeto, resolveu retratar casais e famílias muito proximamente. A sensação do instantâneo prevalece, mas traz em si, em alguns momentos, a postura do consentimento. De compartilhar com Elisa, histórias de doces relações afetivas.
A história ocorreu assim. Conheci a mineira Elisa Mendes numa tarde quieta em Tiradentes (durante o Foto em Pauta Tiradentes, fevereiro/2011). Pedi que se apresentasse, falasse um pouco de sua relação com a fotografia. Elisa desabafou seu nervosismo, pois nunca havia feito uma leitura de portfólio, e logo me contou sua breve experiência em fotografar. Começou a mostrar seus ensaios. Vi um, depois outro… Até que pedi para dar uma olhada no trabalho “NYLovers” (2010) cujo título chamou-me a atenção.
A fala de Elisa era tão intensa – ao comentar sobre esse ensaio – quanto a quantidade de retratos que existia nele. A partir daí, tudo passou a se encaixar, surgia outra história, não a da moça ansiosa por saber (da interlocutora) se algo em sua fotografia fazia sentido, mas daquele tipo de história que costuma acompanhar a fotografia como relação ampla.
A principal característica em “NYLovers” é a frontalidade da pose que passa a ser um código de relação genuína com a imagem realizada por Elisa – antes de concretizar a fotografia. As histórias narradas pelos retratos são pessoais – faço propositalmente esse pleonasmo – e, sobretudo, revela-nos a representação da fotografia enquanto relação com o que nos toca. A percepção de Elisa Mendes conota o quão há de valioso na fotografia: os encontros, as trocas culturais e afetivas. Sem dúvida, essa jovem fotógrafa encontrou a sensível relação com a fotografia.
Por Georgia Quintas, março de 2011.